Em fins de agosto, o jornal O Globo conduziu enquete para averiguar qual o principal problema do Méier, na percepção dos leitores. A reportagem com os resultados informa que, dentre as dez alternativas, o problema que mais aflige os moradores do bairro são os furtos e roubos de rua, com 34,21% dos votos.
A seguir, vêm os moradores de rua (18,65%), o estado das calçadas (11,61%), a falta de árvores (10,38%), o trânsito (7,04%), o transporte público (5,28%), a falta de áreas de lazer (4,84%), o comércio irregular (3,69%), a falta de equipamentos culturais (2,9%) e as enchentes (1,67%). O número de votantes não foi divulgado.
O que dizem os dados
Não há informações públicas sobre os furtos e roubos cometidos no Méier. A menor unidade territorial para a qual o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) divulga dados criminais é a Circunscrição Integrada de Segurança Pública (CISP), que corresponde à área de atuação de uma delegacia de Polícia Civil. Cada CISP pode abranger múltiplos bairros — ou partes deles.
O Méier é um caso à parte: recortado pela linha do trem, cada metade do bairro se encontra numa CISP diferente. O lado Norte, onde se encontram o hospital Salgado Filho e do Jardim do Méier, fica na 23ª CISP, ao lado do Cachambi, de um pedaço de Todos os Santos e de porções miúdas de outros bairros. Já o lado Sul, onde se encontra a rua Dias da Cruz, fica na 26ª CISP, junto com Lins de Vasconcelos, Água Santa e partes consideráveis dos bairros de Engenho de Dentro e Todos os Santos.
Os dados da 23ª CISP são, provavelmente, os que mais se aproximam da realidade do Méier, por se limitar a uma região menor e a bairros com características socioeconômicas similares. No entanto, convém analisar ambas as regiões com a mesma profundidade.
Em busca de uma análise mais abrangente, O Suburbano investigou não os números de furtos e roubos de rua, mas os de furtos e roubos totais, o que inclui aqueles ocorridos em residências, coletivos, estabelecimentos comerciais etc.
Há um ponto positivo nas duas séries históricas: em ambas as CISPs, os roubos e furtos trocaram de posição. Os roubos, que em 2006 estavam por cima, chegaram em 2025 em patamar inferior. É um avanço relevante, pois o roubo, caracterizado pelo emprego de violência ou grave ameaça, é o que mais atemoriza a população. O meliante que aponta uma arma para um cidadão se torna juiz da sua vida, dos seus sonhos, da felicidade dos seus familiares e amigos. Quando o assalto está em alta, vemos em risco muito mais do que nossos bens materiais: saímos de casa sem a certeza de que vamos voltar.
Excetuada essa similaridade, a trajetória da violência apresenta disparidades entre as duas regiões. Somados furtos e roubos, a 26ª CISP foi mais perigosa em 2025 do que em 2006. Já na 23ª CISP, percebe-se clara tendência de queda no número de furtos e assaltos. Um possível fator dessa melhora é a Operação Segurança Presente, que faz patrulha no Méier desde 2015.
Independentemente das séries históricas, fato é que os dados de furtos e roubos continuam elevados, corroborando a percepção popular. De janeiro a julho de 2026, foram registrados 550 roubos e 975 furtos na 23ª CISP: em média, 7,2 ocorrências por dia. Já na 26ª CISP, no mesmo período, foram 570 roubos e 1.288 furtos: em média, 8,8 ocorrências por dia. Méier e região têm um longo caminho a trilhar antes de se tornarem realmente seguros.❖
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Autor
ABREU FERREIRA é paulistano, editor d’O Suburbano e, nas horas vagas, escritor. Saiba mais: Site | Substack.







Sabe, se formos comparar com outros bairros... O Méier ainda segue dando banho em muitos (na maioria, eu arriscaria)! Não existe lugar seguro no Rio de Janeiro, mas o Méier ainda é um lugar amigável, caseiro, especial. O considero um oásis. Dados excelentes 👏 eu espero que o policiamento da região fique cada vez mais forte, afinal, é tudo tão colado no batalhão e nas delegacias, cheio de comércios, com praça, jardim...