Na última terça-feira, 15 de setembro, o Grande Méier amanheceu com uma investida policial no complexo do Lins, encabeçada por policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP). Ao todo, foram trezentos agentes mobilizados para cumprir dezessete mandados de busca e apreensão e dezesseis mandados de prisão — dos quais quatro eram contra alvos já encarcerados por outras razões.
A ação resultou em três prisões, sendo duas em flagrante. Dentre os detidos, estava Victor Hugo, de cognome Puma, que, segundo a investigação, era o responsável por adulterar os veículos e enviá-los para outros estados, como o Mato Grosso. Também foram apreendidas armas, munições, aparelhos eletrônicos, cartões bancários, veículos e componentes automotivos. Os materiais serão analisados no curso das investigações.
Duas investigações, uma ofensiva
A ação foi deflagrada a partir de duas investigações a princípio independentes. Uma delas mirava desde 2024 um grupo responsável por roubos de automóveis e crimes associados, como adulteração de veículos e fraudes envolvendo os cartões e aplicativos bancários das vítimas. Segundo a apuração, o grupo tinha ligações com o Comando Vermelho, e sua base de operações ficava na favela Árvore Seca, no Complexo do Lins.
A outra investigação mirava uma associação criminosa conhecida como “Equipe R7”, também responsável por roubos de automóveis no Grande Méier. O procedimento era similar: os bandidos usavam carros de apoio para fechar os carros das vítimas, que eram abordadas por homens portando armas de fogo. As vítimas eram coagidas a entregar os veículos e outros pertences de valor, além de passar as senhas dos cartões e dos aplicativos bancários.
As investigações se beneficiaram das redes sociais, onde os alvos ostentavam armas de fogo e itens oriundos do crime, como joias, altas somas de dinheiro em espécie e um Jaguar avaliado em cerca de 500 mil reais.
Tensão no Engenho Novo
Em paralelo, espocava um tiroteio no Engenho Novo. Agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) realizavam diligências na região do Morro São João, quando foram surpreendidos por disparos. Equipes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que patrulhavam a rua Abatira, uma das vias de acesso à favela, também foram alvejadas. Seguiu-se feroz tiroteio, e um contingente das forças policiais que atuavam no Lins foi deslocado para prestar auxílio.
Não houve confirmação de presos ou feridos, mas uma moradora da rua Abatira teve a casa crivada de balas, sofrendo danos na janela, na porta e no telhado, que acabara de ser reformado. Ao jornal O Dia, a mulher relatou receber R$ 600 por mês e não ter condições de comprar uma nova porta.
Roubos de veículos em alta
No Grande Méier, o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) registrou 1.319 roubos de veículos de janeiro a agosto de 2026: uma média de 5,4 por dia. O número representa um aumento de 37,25% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 961 roubos de veículos: 3,9 por dia, em média.
Para chegar a esses números, O Suburbano somou os roubos de veículos registrados nas Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISPs) 23, 24, 25 e 26, que, juntas, abrangem todos os dezesseis bairros oficiais do Grande Méier: Abolição, Água Santa, Cachambi, Encantado, Engenho de Dentro, Engenho Novo, Jacaré, Lins de Vasconcelos, Méier, Piedade, Pilares, Riachuelo, Rocha, Sampaio, São Francisco Xavier e Todos os Santos.❖
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Autor
ABREU FERREIRA é paulistano, editor d’O Suburbano e, nas horas vagas, escritor. Saiba mais: Site | Substack.


