O trânsito no Grande Méier promete se tornar um pouco menos caótico nos próximos meses. Desde a última quarta-feira, 26 de agosto, a prefeitura começou a trocar a tradicional fiação de cobre de alguns semáforos da região pelos chamados “cabos laranjas”. O plano é quebrar a atratividade econômica do crime, evitando apagões em cruzamentos.
Prejuízo diário
Segundo dados da CET-Rio, desde 2021, mais de 446 km de cabos semafóricos foram furtados em toda a capital carioca. Se fossem estendidos no chão, seriam suficientes para percorrer toda a Rodovia Presidente Dutra, do Rio até São Paulo — e ainda sobraria cobre. É um crime endêmico no município, tendo avariado os cofres públicos em mais de R$ 25 milhões nos últimos cinco anos. Só de janeiro a julho de 2026, já foram registadas 1.933 ocorrências: mais de nove por dia, em média.
Os semáforos não são as únicas vítimas do furto de cobre. O material também é usado na iluminação pública e por empresas de telecomunicação, que cortam um dobrado para coibir o crime. Por exemplo, em 2025, a RioLuz tomou medidas como a instalação de 1.143 câmeras em pontos estratégicos e a substituição de 153 km de cobre por cabos de alumínio, de menor valor comercial.
Quando os semáforos são danificados, porém, o prejuízo vai além do custo do reparo. Um cruzamento às escuras gera engarrafamentos, aumenta o risco de acidentes e dificulta a travessia de pedestres. Além disso, agentes da CET são forçados a se deslocar até o local para organizar o trânsito enquanto se dá o reparo, que pode levar horas ou até mesmo dias.
Grande Méier no projeto-piloto
Para coibir o furto dos cabos de semáforos, a CET-Rio vem lançando mão de uma série de artifícios, como instalar o equipamento em estruturas elevadas, implantar garras antifurto, enterrar cabos e concretar ou soldar as caixas de passagem presentes nas calçadas, que dão acesso aos fios.
A nova estratégia, porém, segue uma lógica diversa: em vez de se dificultar o acesso aos cabos, objetiva-se tornar os cabos menos atrativos economicamente. Haverá substituição progressiva dos cabos de cobre por cabos de um material sem valor de revenda, revestidos por bainhas de cor laranja — daí o nome “cabo laranja”. As caixas de passagem também serão substituídas por modelos sem valor de revenda.
O projeto-piloto foi iniciado nesta quarta-feira, priorizando a Grande Tijuca e o Grande Méier, regiões que, somadas, respondem por 25% das ocorrências registradas em 2026. Logo no começo, a atualização dos cabos beneficiará duas vias principais do Grande Méier: a rua 24 de Maio (Engenho Novo, Méier, Riachuelo, Rocha, Sampaio) e a avenida Marechal Rondon (Engenho Novo, Riachuelo, Rocha, Sampaio, São Francisco Xavier).
Com a mudança, a CET-Rio espera reduzir os furtos de cabos semafóricos em pelo menos 75% nas regiões contempladas.❖
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ABREU FERREIRA é paulistano, editor d’O Suburbano e, nas horas vagas, escritor. Saiba mais: Site | Substack.



Cobertura fenomenal.
O problema é que instalação de câmera que instalaram não resolve nada, né? Só aparece a carinha de fel dos meliantes, dando show — não caem, não tomam choque, só saem roubando tudo mesmo, na maior cara de pau do mundo.
Estou impressionada com os dados. Acho esses atos criminosos contra o pouco de cuidado público que temos uma coisa gigantesca, uma coisa horrorosa. Tem gente que vai pensar "ah, coitados, não sabem o que fazem pois são usuários." mas sabem, sim! Não é pequeno como parece, afeta direta e indiretamente a qualidade da urbanização, a qualidade da locomoção e de vida. Muitos cidadãos do bem ficam sem luz, perdendo prazos de estudos, trabalhos, alimentos (não somente em residências, como em empresas). E continuamos pagando imposto — e cada vez mais alto, pois a cada fio, pagamos a reposição de uns 40.
Isso, sem contar a roubalheira dos políticos!
Com o nível de violência, sujeira e insegurança que temos hoje, as pessoas ainda se doem com algumas medidas urbanas, as tais "arquiteturas hostis". Não entendo isso. Se nem essas medidas (bobas, até) seguram o avanço dessas coisas, quem dirá sem elas! Tem quem defenda simplesmente darmos moradias e terrenos aos "sem-teto", como se isso fosse resolver tudo. Por que não imprimimos mais dinheiro também, né?
Enfim, se nem estruturas elevadas, garras antifurto, enterro de cabos e concretagem/solda das caixas de passagem resolveram!! Temos um problema seríssimo e fico um pouco aliviada em saber que nem todos estão fazendo vista grossa para eles, mas buscando outras alternativas.
Estou torcendo pelos cabos laranjas!